Ayin

Postado em 27/03/2014 | 1 comentário


O negro céu de Nakina estava encoberto por uma espessa camada cinza. A poluição gerada pelas inúmeras fábricas daquela cidade impedia que as estrelas e a lua iluminassem a noite. No entanto, essa noite não era escura, as luzes da própria cidade clareavam a barreira cinzenta que refletia tons vermelhos.

Um jovem ostentava um uniforme negro com diversos bolsos, todos cheios. No cinto, igualmente negro havia uma adaga, uma lanterna e dois compartimentos para munição. Na cabeça uma boina mal ajeitada sobre um cabelo desgrenhado. Certamente estava fora do padrão. Isso não era problema, dificilmente eles arranjariam outra pessoa para fazer os serviços que Ayin prestava. Os ombros não mostravam nenhuma patente, ele não deveria ser reconhecido, e para ele não importava. Era um soldado e morreria um soldado, mesmo que insistissem em chamá-lo de tenente. Seguiu caminhando pela rua rubra, estava a duas quadras de seu destino, a central oeste da Ark. Verificou o rifle que tinha em suas mãos. Um DK-556 modificado, era de cor metálica e tinha um painel aceso em cor azul. Não havia nenhum algarismo ou caractere naquela tela. Sobre a tela esta escrito, Æthercircuit Λ. Não havia como esconder sua presença, a luz vermelha lhe denunciaria. Escutou algums passoas adiante. Encontrou algumas latas de lixo jogadas a um canto da rua.

Ajoelhou-se, travou sua mira no vazio. Os passos cessaram. Vagarosamente um homem de estatura mediana portando uma pesada metralhadora veio descendo a rua. Em alguns passos seu rosto seria visível. Era um Arauto da Ark. Lia se Ino em sua farda. Era jovem,devia ter não mais que vinte anos, o cabelo e farda estavam alinhados como diz o regulamento. Os Arautos eram soldados de patente inferior, equiparavam se aos cabos do exército e a disciplina era cobrada excessivamente. Ayin esperou pela distancia perfeita. E o atirou. O projétil atravessou a cabeça do pobre coitado. Que continuou andando como se nada houvesse acontecido. Maldito truque, pensou o soldado e temeu por sua vida, pois se aquela alegoria, sua presença fora descoberta a tempo. Ayin imaginou que receberia um ataque pelas costas, virou se rapidamente e nada havia. Ino , o arauto, continuou com sua metralhadora como se nada houvesse conhecido, chegou a uma distancia razoável e pôs-se a atirar. O som de projéteis cortando o ar e o gemido inútil das latas de lixo dominou o ambiente. O soldado Ayin se protegia da enxurrada de laminas que queria devorar sua existência. O homem seguiu atirando enquanto o indefeso soldado planejava como sairia dessa situação. Esperava pela recarga. E ela veio. Aproveitou a pausa para pular desajeitado em direção a metralhadora. Mas a recarga era apenas um truque do arauto, que destruiu totalmente o corpo, antes que ele tocasse o chão. O Arauto fechou os olhos primeiramente em respeito ao morto e seguidamente pelo asco que sentia pelos mortos.

- Que sua existência seja apagada. – rezou Ino enquanto abria os olhos.

Esperava uma poça de tripas e sangue. Sentiu uma pancada gelada em sua testa, enquanto admirava o saco de lixo que tinha acabado de matar. E a esperada poça ensangüentada se fez enquanto o moribundo Ino e sua metralhadora caiam estirados no chão. Ayin puxou o corpo pelas pernas e o camuflou no meio das latas. Retirou a munição da metralhadora do defunto e seguiu adiante.

1 Comentário

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